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OS CAMINHOS DA ADVOCACIA PÚBLICA
Artigos

Thiago Luís SombraCarlos
Odon Lopes da Rocha

           Após quase 20 anos de promulgação da Constituição Federal, a Advocacia Pública, composta por membros da Advocacia-Geral da União e das Procuradorias dos Estados, Distrito Federal e Municípios, primordial defensora do interesse e patrimônio públicos, ainda não detém as autonomias administrativa, financeira e funcional imprescindíveis ao pleno desempenho de suas atribuições.

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''Cotas geram ódio racial''
Entrevista
Dra. ROBERTA FRAGOSO KAUFMANN

Procuradora defende política de inclusão para pobres e diz que o Brasil incentiva racismo ao copiar sistema dos EUA

Por HUGO MARQUES (ISTOÉ)

Dra. ROBERTA FRAGOSO KAUFMANNCom apenas 30 anos de idade, a procuradora Roberta Fragoso Kaufmann tem uma carreira privilegiada. Atualmente ela se dedica à Procuradoria- Geral do Distrito Federal, mas sempre esteve ao lado de nomes que ocupam lugar de destaque na cena jurídica do País. Roberta foi assessora do expresidente do Supremo Tribunal Federal ministro Marco Aurélio Mello, para quem fazia pesquisas e análise de processos. “O ministro Marco Aurélio foi meu mentor intelectual”, diz. Há oito anos, escolheu um assunto espinhoso para tema de seu mestrado em direito: as cotas para negros nas universidades. E teve como orientador outro jurista de peso: o atual presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, que também assinou o prefácio do seu livro Ações afirmativas à brasileira – necessidade ou mito. Na tese, Roberta traça um paralelo entre o sistema de cotas implantado nos Estados Unidos e o sistema que foi adotado no Brasil. Do alto de sua especialização, a procuradora do DF dá um conselho ao governo Lula: já é tempo de abandonar o sistema de cotas para negros e substituí-lo por cotas para pobres. Por quê? “A questão racial no Brasil não pode servir como parede, dividindo as raças”, explica Roberta. “O governo quer desunir o que está unido e importa um problema que não é nosso, que é o problema da segregação racial.” Roberta está convicta de que esse caminho só contribui para aprofundar o problema de consciência de raça, baixar a auto-estima dos estudantes negros e retirar o estímulo do princípio do mérito nos vestibulares. Certa de que as cotas não fazem bem ao Brasil, Roberta cravou sua assinatura na lista dos 113 intelectuais contrários à ação afirmativa, que será julgada pelo STF. Loira, olhos levemente esverdeados, ela garante que herdou uma parcela de sangue negro dos antepassados pernambucanos. Roberta está grávida de oito meses. Será uma menina e o nome está escolhido: Gabriela. “Será Gabriela Cravo e Canela”, brinca, referindo-se ao símbolo maior da sensualidade da obra de Jorge Amado. Sensualidade com berço no sincretismo racial. 
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